Metal Storm Fest
Nightrider(SC) Profana(SC) Goaten(RS) Selvageria(SP) Bomba no Porão(SC)
Local – O Beco Complexo do Rock / São Bento do Sul – SC
Data – 16/08/2025
Fotos By- Luane Grisa Mosellin
É fato, que o underground sempre teve os alicerces e pilares fortes de união, apoio e respeito entre público e bandas. Exemplos não faltam! Um fã ardoroso de metal sempre está querendo participar e fazer parte da cena, ajudando de alguma forma organizando shows ou mesmo fazendo uma distro, ou editando um fanzine, é isso que faz a diferença no submundo. Posto isso, uma parceria entre o Rolf Rothbart que sempre está fazendo a cena de sua região se movimentar e organizando eventos voltados para o Heavy Metal na cidade de São Bento do Sul, se juntou com Marcelo Fagundes, organizaram o Metal Storm Fest.
Felizmente um bom público da região e inclusive de Curitiba, Paraná, compareceram e prestigiaram um grande evento nesta noite muito fria na serra catarinense.
Coube a nova banda Nightrider do ex-Battalion Marcelo Fagundes guitarrista e vocalista, com Roger Cecconello, baixista que fez parte da última formação do Battalion abrir o evento.
Infelizmente, a Battalion deu um tempo nas atividades e com isso a dupla Marcelo e Roger, resolveram montar uma nova banda é assim nasceu á Nigthrider. Para o posto de baterista chamaram um assecla para fechar o trio metálico com Alex Rodrigues, (Profana) na bateria. Conversando com os integrantes, segundo eles: já estão finalizando as composições e em breve eles lançaram um full álbum completo e o que presenciei no palco os fãs ardorosos pelo Heavy Metal tradicional terão mais uma banda de metal para apoiar, curtir e se orgulhar.
O público estava ansioso para ver a estréia oficial da banda em cima do palco e muitos metalheads colaram na frente do palco. Após rolar uma intro e em seguida mandaram uma música nova e gostei muito da faixa, Mindhunter. Heavy Metal com guitarras afiadíssimas, solos muito bons, pesados e bases poderosas. A cozinha trabalhou muito bem e funcionou perfeitamente com um baixo estridente e soando pesado nos graves e o baterista Alex simplesmente destruiu tudo atrás do kit de bateria. Com batidas fortes e consistentes, pedais duplos e viradas violentas e precisas. Os vocais de Marcelo soam épicos, agressivos e furiosos. O power trio metálico apresentou mais uma nova música, Nightmare Awake e o público presente recebeu muito bem essas duas novas composições.
A banda é nova e segundo eles, estão se familiarizando com as novas músicas e resolveram tocar “5 covers da Battalion” e mandaram: Kill Or Die, Road Of Revenge, Interceptor e Steel Avenger. Como sempre, os headbangers presentes agitaram muito e bateram cabeça ensandecidos, cantando com o vocalista e com os punhos para cima. Marcelo, anuncia a próxima música que dá nome à sua nova banda e manda Nigthrider, uma faixa do último disco da Battalion, Bleeding Till Death (2020) e na minha opinião um dos melhores álbuns de Heavy Metal brasileiro de 2020.
Enfim, Marcelo Fagundes era o principal compositor de sua ex-banda e acho que ele tem todo o direito, sim, de tocar e usar músicas de sua antiga banda, no setlist da sua atual banda, até porque ele compôs essas músicas. É fato que em qualquer show o público vai pedir clássicos eternizados na cena underground catarinense pela Battalion, já vimos isso com grandes bandas que se separaram e sempre tiveram que tocar músicas de sua banda interior.
Fechando o show da Nightrider, Marcelo chama ao palco o guitarrista Peter Fragoso (Ex-Violent Curse e atual Profana) e mandam um cover espetacular dos ingleses do Judas Priest e executam Rapid Fire, fazendo a alegria de todos!
Gostei muito da banda Nightrider! Acredito que todos nós que gostamos da Battalion, vamos continuar gostando e torcendo para que no futuro a banda volte aos palcos, volte a gravar discos e continuar escrevendo sua história no metal catarinense e alegrar seus fãs, que são muitos.
Battalion escreveu seu nome na história do metal brasileiro, e isso ninguém apaga! Teve uma grande história e agora ganhamos mais uma banda que de certa forma continuará o legado da Battalion. É fato, que o baterista Alex deu um novo ar às composições do Marcelo, e o cara realmente é um grande baterista, técnico e versátil. Roger é um grande baixista e faz uns backings vocals muito bom, só acho que ele poderia se movimentar mais no palco. Marcelo é um ótimo guitarrista, um ótimo vocalista e o cara é carismático e sabe se comunicar com o público. Acredito que o Nightrider terá um caminho grandioso no Underground brasileiro.
A segunda banda da noite é de Rio Negrinho, (SC) e confesso que nunca tinha assistido um show deles. Eles fazem um Heavy Metal calçado nas bandas brasileiras dos anos 80 e com letras cantadas em português. Eles têm um álbum lançado autointitulado de 2023. Eu realmente não conhecia esse trabalho e depois de assistir o show fui ouvi-lo no Spotify e realmente em estúdio o som deles tem uma vibe bem Heavy Metal anos 80 com influências de Azul Limão, Salário Mínimo, Taurus e muitas outras nessa linha. As letras são bem legais e de contestações. Formada em 2016, por Tiago Bublitz, guitarrista, Peter Fragoso, guitarra, Alex Rodrigues, na bateria e Jeverson de Lima no baixo vocal. Nesta noite, no Metal Storm Fest, a banda se apresentou como um power trio: Alex Rodrigues, na bateria,Peter Fragoso,na guitarra e Jeve no baixo vocal e mandaram músicas do seu full length, e apresentaram músicas novas também.

Infelizmente não consegui o setlist deles e vou ficar devendo aqui. Lembro que mandaram músicas como; Caminho da Cruz, Refém do Pecado, Coração Animal e Profana. A banda estava bem à vontade em cima do palco e muitos metalheads curtindo o show deles e cantando suas músicas. Sim, eu acho que a banda é Heavy Metal em estúdio, mas ao vivo eu não entendi á proposta da banda. A banda tem como base e referência o Heavy Metal, mas ao mesmo tempo incorpora muitos elementos de Thrash Metal e Speed Metal, com alguns riffs de Death Metal e para mim ao vivo nesta noite soou estranho. Não é uma crítica longe disso! Talvez por ser a primeira vez que assisto eles ao vivo. Mas tirando essa “minha humilde opinião” á banda é muito boa e espero conhecer mais afundo os trabalhos deles e presenciar mais shows deles também. Saíram do palco aplaudidos pelo público presente.
A terceira banda da noite, vem do Rio Grande Do Sul e a Goaten, fez um ótimo show com seu Hard ‘N’ Heavy misturando peso, agressividade, melodia e técnica.
O power trio que tem em suas fileiras: Francis Lima, no baixo e vocal, Rafael Marco, na bateria e Daniel Limas, na guitarra. Banda da região do Vale Dos Sinos, no Rio Grande do Sul e estão na ativa desde 2018, com dois EPS lançados: The Following, (2019) Crimson Moonlight (2021) e o full length Midnight Conjuring. (2023)
Os caras mandaram um setlist abrangendo os três trabalhos deles que agradou bastante os metalheads que estavam ansiosos para ver a banda ao vivo e era nítido a alegria do público na pista.
Uma intro dá início aos trabalhos e já mandaram:Mistress of Illusion, Finally Free, Metal Blade, Hunting the Damned e Gypsies in the Night. A banda ao vivo executa um grandioso Heavy Metal naquela vibe oitentista, mas com uma pegada contemporânea e não confundir com modernidade! É Heavy Metal com influências de muito Hard Rock! Guitarras bem executadas e técnicas. Com peso, melodia, ótimos solos e como é contagiante, suas composições. Achei que o som aqui estava um pouco diferente das duas primeiras bandas com algumas microfonias e acho que faltou comunicação entre a banda e técnico de som. Mas nada que atrapalhasse a apresentação da banda, longe disso.
Pride or Dust, The Fortress e Phantom Chaser, continuaram fazendo a alegria do público! O baterista Rafael é um show à parte. O cara é um monstro atrás de seu kit de bateria. Soca a bateria com raiva, peso, muita técnica e agita muito a cabeleira e transmite energia ao público. Os vocais de Francis Lima são melodiosos e cheios de drive, além de tocar com maestria o baixo. O Som da Goaten é aquele metal para cima, energético e contagiante, e acho que a dupla das cordas estava muito tímidos em cima do palco, e o som que eles fazem precisa que a dupla se solte mais… Que interagem com o público, assim como é a música deles. Para cima!
Fechando o set dos gaúchos as duas últimas músicas: Sacrifice e a já clássica Bells. Com o público agitando muito e cantando os refrões com a banda. O power trio gaúcho da Goaten fez um show maravilhoso! É incrível como nosso underground brasileiro é foda e como temos bandas muito boas em todos os estilos. A banda saiu do palco muito aplaudida!
A banda mais aguardada da noite, os paulistas da Selvageria entregaram um show violento, selvagem e furioso. Que show matador! É fato que não só eu como a grande maioria dos insanos metalheads presentes nesta noite fria na serra catarinense, estávamos ansiosos para ver como soaria ao vivo o power trio paulista sem a presença de seu vocalista Gustavo Eid, que saiu da banda e montou o Trovão, diga-se de passagem é uma banda foda!
Mas enfim, Danilo Toloza (ex-Ruínas) provou que foi à escolha certa e perfeita, além de destruir nos vocais, também destruiu tudo atrás da bateria!
Além do já citado vocalista e baterista, a banda tem na linha de frente César Capi, guitarra e Tomás Toloza, no baixo e backings vocals, quando as cortinas se abrem os caras já chegam chutando tudo em um furioso Heavy Speed Metal poderoso e destruidor, com as músicas: Metal invasor, Selvageria, Maldição e Armas letais. Me diz aí,quem curte Heavy Metal nacional, consegue ficar parado em um show com tamanha violência sonora e metal tocado com devoção e paixão, com letras em português para cantar com a banda com punhos cerrados para cima?
E a devastação metálica continua com mais pedradas na moleira do público e dá-lhe: Lâmina da foice,
Cinzas da inquisição, Águias assassinas e Trovão de aço.
Público e banda em uma sinergia perfeita! A banda em cima do palco agita muito, executam seus instrumentos com perfeição e técnica. Eles comunicam-se muito bem com o público agradecendo a presença de todos ali e dizendo estarem muito felizes de tocarem na serra catarinense.
Caminhamos para o final do show com os hinos metálicos:
Cavaleiro da morte, Ataque selvagem e Legião invencível. Eu adoro Heavy Metal e acredito que o metal é universal e não importa se é em inglês ou alemão, mas que faz toda a diferença uma banda igual ao Selvageria, que tem em suas composições guitarras afiadíssimas, bateria rápida e mortal, músicas pegajosas, apesar de toda á fúria, com refrões poderosos, perfeito para o público cantar com a banda, e por ser em português o público interage muito melhor com a banda, porque entende as letras e cria uma energia única entre banda e público.
Fechando o set mortal com a música Hino do mal. Que show matador, selvagem! É incrível como os paulista entregam músicas rápidas, velozes, sujas e agressivas e melódicas, com aquela vibe clássica dos anos 80, Speed Metal com muito de Agent Steel, Exciter e os primeiros Slayer, com influências do metal brazuca como Taurus e Azul Limão. Mas com sua identidade própria. Riffs e solos marcantes, bateria muito rápida e pedais duplos matadores! Que show de pura violência é uma ode ao verdadeiro Heavy Metal!
Sinta a força do punho esmagador, selvageriaaaa!
Saíram do palco muito aplaudidos e o público pedindo bis e infelizmente, eles não voltaram para o encore.
Fechando essa noite e o Metal Storm os punks Rockers de Rio Negrinho (SC) Bomba no Porão. Mostrando que união entre o submundo é importante é essa união entre punks e metalheads faz toda a diferença. A Bomba no Porão, teve problema com seu baterista original e subiu no palco para salvar a banda, o baterista Diego Tschoke (Os Diabos a Quatro) e fizeram um set curto mas, que alegrou o público que ficou até o final para vê-los e apoiá-los. Tocaram músicas próprias e infelizmente não consegui o setlist deles, mas lembro que tocaram: Operário Padrão, Underground, Morar no Bar, entre outras.
Enfim, mais um evento feito na raça e com amor e devoção, por pessoas que realmente entendem e vivem o underground e o metal. Quando se faz algo sem pensar em lucros, somente para reunir bandas, fazer a cena se movimentar e encontrar os amigos e amigas, curtir um show e tomar uma gelada, a recompensa vem e o evento acaba-se pagando! É óbvio que em um mundo ideal seria que todos os envolvidos na organização ganhassem uma grana, afinal é tempo é dinheiro investido, mas o metal é do Submundo no Brasil e se não for assim às coisas não rolam. A dupla Rolf e Marcelo estão de parabéns ! Rolou um show com bandas matadoras, uma aparelhagem muito boa para as bandas e uma organização com uma boa infraestrutura e o público gostou muito!
Agradecer ao Marcelo, Luane, Gabi e Rolf, pela hospedagem e amizade e acolhimento de sempre! Underground é união e ninguém faz nada sozinho! Unidos somos fortes!