CRYPTA – In the Other Side Tour 2025
Bandas convidas: Durk (França), Paradise in Flames (MG) e Allenkey (SP)
Local: Toinha Rock Club
Data: 06/12/2025 – 19:00
Essa será uma resenha razoavelmente curta por um motivo muito simples: a maioria das bandas era tão desconhecida para mim que não conhecia absolutamente nenhuma música ou título, portanto um detalhamento maior do que foi apresentado não me é possível.
Os últimos dias em Brasília foi de chuvas intensas e clima mais frio (maravilha !!!!) e talvez isso tenha espantado o público desse evento, que estava bem cheio, mas não lotado como eu imaginei que estaria. As três bandas de abertura se apresentaram para um público bem reduzido e apenas na hora do show do grupo brasileiro CRYPTA é que realmente a casa ganhou contornos de mais público.

Eu decidi de última hora comparecer ao evento e não sabia muito o que esperar. Cheguei cedo para ver todas as bandas e a primeira banda a se apresentar foi o grupo francês DVRK. Nunca tinha ouvido falar e sinceramente só descobri hoje que era uma banda francesa e não americana. Musicalmente falando não poderia estar mais distante do que eu me interesso em uma banda. O grupo é classificado como deathcore com influências diversas e foi isso mesmo que vi no palco. O som da banda abraça tantas influências que carece de personalidade própria. Tem hora que soa brutal, tem hora que vira um industrial, em momentos soa como uma banda post metal e até mesmo desbanca para algo que agradaria os fãs mais diehard do Slipknot. Os caras fizeram um show pesado, que estava alto pra caralho e tocara para um público diminuto e morno.

Após um tempo de organização do palco os mineiros do PARADISE IN FLAMES entraram e fizeram, pelo menos para mim, o melhor show da noite. O black metal sinfônico da banda evoluiu absurdamente e ao vivo tem um impacto gigantesco no público. Um dos motivos para esse impacto é a performance da vocalista Nienna, que entrou na banda ano passado. Nienna está certamente em outro nível. Essa guria canta MUITO. O vocal clássico é muito bom, a performance dela também. Toda a banda está funcionando como uma máquina no palco e os mesmos tinham acabado de voltar de uma mini tour pelo Japão e China (uma conquista gigantesca para uma banda underground brasileira) e trouxeram ainda mais experiência que foi mostrada no palco do Toinha. Musicalmente a banda apresentou um symphonic black metal poderoso. Com influências muito claras de Cradle of Filth, Therion e até mesmo Behemoth em alguns momentos de guitarra, o PARADISE IN FLAMES ganhou o público presente que apreciou e aplaudiu muito o grupo. Um show realmente de qualidade.

Na sequência veio a banda paulista ALLENKEY, que segundo a “imprensa” especializada vem sendo apontada como uma revelação do metal brasileiro. Eu sinceramente acho que está muito longe disso. A banda é competente ? Sim, muito. Os músicos são sólidos em sua perfomance ? Absolutamente sim. Mas em termos de composição, acho que as músicas da banda soam bastante genéricas ainda. Ainda falta aquele toque de personalidade para destacar a banda em meio a tantas outras. Não houve nenhuma música no setlist que eu achasse que soava como realmente um “hit” de uma banda apontada como “grande revelação”. A banda entrou no palco com atitude e segurança, fez um show que agradou realmente o público presente e deixou claro que é uma banda com potencial dentro do som que eles escolheram fazer.
A vocalista Karina Menascé é realmente o destaque da banda, com uma postura energética em cima do palco e uma potência vocal realmente impressionante. Ser uma frontwoman não é fácil e o carisma dela é muito evidente.
A mulher realmente mostrou a que veio em cima daquele palco. Com certeza o público saiu satisfeito com o show deles.
Finalmente por volta das 23:00 a atração principal da noite adentrou o palco e iniciou sua apresentação. O CRYPTA não é nenhuma novidade nos palcos brasilienses, já que a banda toca até com certa frequência na cidade. Nessa hora o público realmente adentrou a casa e deixou o local com cara de show realmente.
A banda está na reta final da tour do seu último álbum e se apresentando com uma das guitarras vagas após a saída de Jéssica Falchi. Quem veio ocupando a segunda guitarra ao lado de Tainá Bergamaschi foi a guitarrista Helena Nagagata, que mesmo sendo mais contida no palco, tem uma performance realmente sólida ao lado das outras garotas da banda.

O setlist do CRYPTA passou pelos seus dois álbuns de estúdio e com certeza a vivência constante na estrada deixou a banda funcionando como uma máquina. Eu achei o som ao vivo um tanto sem peso nas guitarras, mas no geral a banda entregou um show de impacto.

A guitarrista Tainá tem uma puta presença de palco e detona no seu instrumento, enquanto a baterista Luana só tem evoluído com o passar do tempo. Técnica, brutal e precisa, ela mostra que o tempo de estrada tem moldado uma musicista de alto nível. A baixista e vocalista Fernanda Lira tem sua postura em palco já bastante conhecida e foi exatamente isso que ela entregou em Brasília na noite passada.
O setlist da apresentação do CRYPTA pode ser conferido a seguir: “The Other Side of Anger”, “Kali”, “Lift the Blindfold”, “The Outsider”, “Possessed”, “Lullaby for the Forsaken”, “Stronghold”,“Trial of Traitors”, “Under the Black Wings”, “Starvation”,“Dark Clouds”,“Lord of Ruins” e “From the Ashes”.
O som estava muito bom para todas as bandas, com mais ou menos qualidade, dependendo do grupo no palco, o público poderia ter sido maior (ainda mais com o Crypta no cast), mas o evento terminou com um saldo positivo. Agora é preparar para o lançamento do novo álbum dos thrashers brasilienses do VIOLATOR, que aportam no palco do Toinha no próximo final de semana.