Velho (RJ) Podridão (SP) Cruciate (SC)
Data- 22/10/2025
Cidade- Florianópolis-SC
Local – Desgosto Bar
Talvez eu esteja errado ou não, tenho quase certeza que estou certo. As bandas Podridão e o Velho, com certeza nos últimos anos, principalmente depois da pandemia, são as bandas que mais fazem tour pelo país.
Esses caras, não são amadores e não são fracos! Os caras, entra ano e sai ano, estão rodando o país de Norte a Sul do Brasil levando a desgraça do death metal em qualquer bueiro e esgoto, violando cemitérios com o seu metal pesado.
O Podridão faz a alegria dos cultuadores do metal da morte e adoradores de carne humana. O Velho levando seu metal negro, primitivo, misantrópico e blasfemo para o submundo, faz alegria dos fãs com sentimentos mais obscuros. O primeiro ato dessa tour começou pelo Nordeste e agora o segundo ato passando pelo Sudeste e Sul do Brasil, com datas no Rio Grande Do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Em suporte aos recentes álbuns lançados: Vingando as Bruxas, (2025) dos cariocas e “Coffin of the Corrupted Dead” (2025) dos paulistas. A Tour no Sul do Brasil começou em Porto Alegre, e temos duas datas em Santa Catarina. A primeira data em Florianópolis e a segunda data em Joinville. Em Floripa, o show aconteceu em uma quarta-feira e me surpreendeu porque ainda não estamos acostumados com shows no meio de semana, e um bom público compareceu no Desgosto Bar apoiar às bandas e curtir um violento e insano show!
A primeira banda a subir no palco foi a CRUCIATE, banda ainda nova, mas com muita garra e atitude. A banda surgiu em 2024 e conta com um EP “Cruciate Ligament Of Atlas”, de 2025 e recentemente lançaram um ótimo clipe com muito sangue para música: “Smell Of Decay”, vale a pena conferir esse clipe que ficou foda!
CRUCIATE
O Cruciate é formado pelas garotas: Rúbia Domiciano, no baixo e pela vocalista, Lakshmi e os garotos, Renan, na bateria e Ardley, na guitarra, fizeram um show curto, porém matador, violento, agressivo e com muita energia.
O show começou cedo com a Cruciate, iniciando o show com uma intro e mandaram às músicas: “Name The Shame”, “Sea Of Câncer” e “Shredded To Pieces”. A Cruciate, aqueceu o público presente com muita fúria e agressividade. A banda tem uma presença de palco visceral e sua vocalista Lakshmi, tem uma presença de palco matadora! Ela mescla vocais guturais com vocais rasgados e agita muito no palco. Achei legal que a banda traz uma garotada mais nova para frente do palco e são fãs fervorosos da banda. E dando sequência a brutalidade, mandam “Sacrifice” e “Dirty War”.
O som da banda é um death metal old school com uma pegada goregrind e tem umas passagens de doom metal, perfeito para bater cabeça. Riffs simples e direto. Baixo segurando o grave e bateria mesclando velocidade e partes cadenciadas. Fechando o set deles com a música “Smell Of Decay” e saíram do palco aplaudidos. Eu não tinha assistido eles ainda ao vivo e me surpreendeu sua apresentação. Estão no caminho certo e é mais um bom nome para representar a cena extrema catarinense.
PODRIDÃO
A devastação sonora na quarta-feira, a noite segue agora com os paulistanos da Podridão. Divulgando o quarto álbum de estúdio lançado pelo selo brasiliense Kill Again Records, “Coffin Of The Corrupted Dead” vêm recebendo boas resenhas pela imprensa especializada.
Uma troca bem rápida no palco e o trio de zombie: Putrid Dick, no baixo/vocal, Rotten Flesh, na guitarra e Repugnant Fat, na bateria, mandaram bala com um setlist matador. O cheiro de carne podre e corpos em decomposição vem a mente e rola uma intro bem estranha que parece um ritual indígena e iniciam o show com as músicas: “Darkness Swallows the Light” e “Urban Cannibalism”. A horda de zumbis recebeu muito bem a banda colados na frente do palco. A próxima música é Dissolved Into Viscouns Ruin, representando o mais recente trabalho dos paulistas. O ritual de sangue coagulado e pus segue com “Tomb Of Repugnant Stench” e “Bind,Torture,Kill”.
O público batendo cabeças e muitas rodas na pista! Show violento! Esse “power trio” entrega um show visceral e insano. Sempre é bom vê-los ao vivo! Músicos com uma técnica apurada e músicas com uma atmosfera densa e macabra, aliando a brutalidade com passagens cadenciadas. Esse é o poder do metal da morte, hail death metal! Putrid Dick, vai ao microfone e diz: essa próxima música fala de uma doença e essa doença é a que eu mais gosto! É sobre gonorréia! Tirando aplausos e gargalhadas dos zumbis presentes na plateia e manda, “Chronic Gonorrhea” e “Regurgitate Hellish Maggots”.
O setlist passeou por toda a discografia da banda e só tocaram uma faixa do novo disco! Fechando o show com a trinca: “Fucking Your Corpse” e duas músicas do aclamado “Cadaveric Impregnation” (álbum lançado em 2023) “Verminosis Faecalis” e “Cadaveric Impregnation”. Show matador, como sempre! Os integrantes da Podridão estavam muito felizes por estarem tocando na ilha da magia e saíram do palco muito aplaudidos e ficaram felizes pela ótima recepção que receberam dos manezinhos de Floripa.
VELHO
A próxima banda é o Velho e o que é velho nos transmite conhecimento e sabedoria, não é mesmo? Com uma discografia marcada por clássicos como “Vida longa ao Primitivo” e “Decrepitude” e sabedoria, o Velho expõe temas filosóficos e existenciais nas músicas, com uma perspectiva que busca desafiar dogmas religiosos com sentimentos mórbidos e macabros.
A banda subiu no palco contando com o suporte da baixista Aletea Cosso. (Miasthenia) O atual baixista da banda Rafael Lopes, não pode fazer essa tour e Aletea assumiu o posto e não decepcionou. O Velho está divulgando o novo trabalho “Vingando As Bruxas” (2025).
A banda surgiu no palco com corpse paint é um clima macabro e tétrico e já mandaram duas faixas do novo disco e tome “Retornando Ao Caos Primevo” e “Destruindo Os Mandamentos”. O público grudou na frente do palco e o clima foi de pura insanidade e loucura! No início do show, sendo duas músicas novas e foram bem recebidas pelo público já mostrava que o show deles seria matador!
A terceira faixa é um clássico da banda e manda “Newton Misantropo” e os fãs cantando junto com Thiago Caronte e a banda destruindo tudo! Mais uma música do novo trabalho “Reunindo As Matilhas” e o ritual profano segue com “Renascendo Pelo Ódio”, “Perto Dos Portais Da Loucura” e “Coma induzido”.
Que setlist matador! Banda e público estavam sintonizados em uma energia negra. O público batendo cabeça e rodas eram abertas e o caos reinou absoluto no recinto. E dá-lhe mais insanidade em forma de música negra e obscura com: “A Mesma Velha História”, “Cadáveres E Arte”. É incrível como os músicos do Velho tocam com paixão e técnica. Aliás, Thiago Splatter, Thiago Caronte e Død, devem disputar dentro da banda quem toca ou participa de mais bandas/projetos, no submundo.
Todos os músicos são realmente experientes e conhecem muito bem seus instrumentos, mas Thiago Splatter rouba a cena. O cara realmente toca muito e agita feito um louco atrás do seu kit de bateria com muita fúria, técnica e ainda batendo cabeça. E satã quer mais oferenda em forma de hino negro e a banda manda: “Alinhando Estrelas Mortas”, “Marca Invisivel De Lúcifer” e “Satã Apareça”.
Nas músicas do Velho encontramos riffs marcantes e arrastados, bateria rápida e mortal e um baixo estridente e poderoso.
Aliás, gostei muito da presença da Aleteia no palco. Ela passa uma imagem imponente e poderosa, segura os graves com maestria, interage com a platéia e sempre com um sorriso no rosto. O som do Velho é um raw black metal sujo e agressivo, com “as velhas influências” do clássico metal negro do submundo como os grandes Bathory, Venom, Hellhammer, Celtic Frost, mas é claro com a pegada suja e visceral do metal extremo brasileiro.
Chegamos ao final do show e a banda executa os três últimos hinos da noite: “A Nova Onda Ocultista”, “O Único Caminho”, “Mais Um Ano Esfria”. É incrível o público cantando as letras e dizem que metal negro não combina com letras em português. Eu acho que combina sim e fica muito bom!
Principalmente se a banda sabe o que está fazendo e o velho felizmente sabe. Os metalheads sabiam as letras de cabo à rabo e foi bonito vê-los cantando com a banda e realmente o show do Velho foi uma celebração ao metal negro e ao submundo brasileiro. A banda saiu do palco ovacionada e com o público gritando: Velho, Velho, Velho!
Resumo da noite: foi tudo perfeito! O show começou cedo e terminou um pouco antes da meia-noite. A casa de show, eu gostei muito! Eu não conhecia! O sistema de backline é muito bom. O som estava perfeito e ouvia os instrumentos muito bem. Talvez as guitarras estivessem muito altas e encobria um pouco os vocais, mas nada que afetasse o vocalista e o show deles. O show ser no meio de semana apareceu um bom público e acho que surpreendeu muito até os organizadores.
Outra coisa que notei e parabéns aos metalheads que compareceram e apoiaram as bandas comprando merchandising. Notei que a nova geração comprou muitas camisetas das bandas que tocaram no evento. Enquanto, a velha guarda preferiu comprar CDs e camisetas. É fato são os novos tempos no underground. A nova geração escuta músicas pelas plataformas de streaming e enquanto a galera old school preferem ter o físico em mãos, seja CD, vinil e camiseta, e está tudo certo. O importante é apoiar o submundo brasileiro comparecendo em eventos e adquirindo material das bandas, só assim a cena existirá e continuará forte.