
Fundada em 2010 em Santa Maria-RS, a Finita tem forjado sua obra através de influências que vão do Black Metal, Death Metal, Gothic Metal e atmosférico, misturando tudo, poderíamos dizer que o som deles é um Dark Metal, que mescla o obscuro, peso e a melancolia. Letras que abordam o lado sombrio da natureza humana filosofia e ocultismo. A atual formação conta com Luana Palma, vocais, Bruno Portela, guitarra,Fernando Back, baixo, Guilherme Pereira, teclado e Pablo “Pablijo” Castro,bateria. Fomos conversar com a banda sobre o novo lançamento “Children Of The Abyss” (2025) e seus planos para o futuro.

Saudações, a todos do Finita! Sejam bem vindos ao nosso Portal The Old Coffin Spirit Zine. Para começarmos gostaria de saber como foi o processo de gravação do novo trabalho, “Children Of The Abyss”? Foi lançado recentemente e é muito cedo para ter uma visão mais apurada do público e imprensa especializada. Mas como está a aceitação do mesmo no underground?
Finita – Saudações! É uma grande honra para a Finita ser recebida no Portal The Old Coffin Spirit Zine. O processo de criação de “Children of the Abyss” foi bastante orgânico e rápido. A banda já tinha algumas ideias quando, em meados de 2023, a equipe do fantástico Estúdio Fusão entrou em contato e, logo em seguida, o produtor Thiago Bianchi nos apresentou a proposta. Aceitamos o convite de imediato, pois já era nosso plano gravar um álbum em São Paulo. No segundo semestre, foi realizada á pré-produção, e a gravação em si aconteceu em uma semana, na primeira semana de 2024. Apesar de ser um lançamento recente, a aceitação no cenário underground tem sido maravilhosa, com críticas extremamente positivas. Sentimos que o álbum está preenchendo uma lacuna no cenário e nosso objetivo é que ele abra portas para novos shows e nos permite nos conectar ainda mais com o público, o quevalorizamos muito.
Gostaria que vocês comentassem como foi trabalhar com Thiago Bianchi? Ele é um grande músico que trabalhou com o mestre André Matos e tocou nas bandas Shaman/Nocturnall digamos mais “mainstream” do cenário brasileiro. A produção dele agregou na evolução musical da Finita?
Finita – Trabalhar com o Thiago Bianchi foi uma experiência transformadora. Além de toda a qualidade técnica que ele carrega — gravação, mix, master e até a direção dos videoclipes —, o que mais nos marcou foi o acolhimento humano e a partilha de conhecimento. Ele não apenas elevou nosso som a um patamar de produção comparável ao mainstream, mas também nos ajudou a enxergar nossa própria arte de forma mais ampla. No Children of the Abyss, esse encontro foi natural e potente: chegamos com ideias e conceitos já estruturados, e ele soube lapidar e expandir cada detalhe, com atenção especial ao trabalho vocal. Thiago tem um olhar raro, tanto para a música quanto para a narrativa visual — e essa visão cinematográfica transbordou para nossos clipes. Ao final, sentimos que sua contribuição foi além do som: consolidou nossa maturidade em 15 anos de banda e fortaleceu ainda mais a essência da Finita.
A Finita é um quinteto e gostaria de saber como é o processo de composição? Deve ser difícil, é um trabalho mútuo de todos os integrantes ou é individual?
Finita – O processo de composição é difícil sim. Na maior parte das vezes, o Bruno Portela puxa a frente. A música é feita de forma individualizada, ou seja, cada som tem um tema e conceito específico, que é trabalhado musicalmente como se fosse uma trilha para uma história, poesia ou ideia. Geralmente é um tempo longo de composição e desenvolvimento. E quando a música é apresentada ao restante da banda, vamos pro estúdio pra sentir se funciona e onde cada um tenta auxiliar na medida do possível, pensando na estrutura e na mensagem. Para gente, cada membro da banda é dono do seu instrumento e deixa sua marca e identidade na música. Isso torna cada composição da Finita algo único e com uma identidade própria, que reflete a contribuição de cada um de nós.
Só para não perdermos o foco aqui e continuar falando dos trabalhos de guitarras. Esse disco tem bases e solos magistrais e de pura beleza. Essa pergunta vai para o guitarrista Bruno Portela. Cara, onde você buscou inspirações para criar solos maravilhosos neste trabalho? Apesar do estilo da Finita ser extremo e com passagens sinfônicas, ele é permeado por solos magníficos, com belas melodias e técnicos. Quais guitarristas influenciaram você como guitarrista e principalmente neste trabalho que acabou de sair do forno?
Finita – Fico muito feliz e lisonjeado com o reconhecimento do meu trabalho de guitarra no álbum. O processo de criação foi complexo e me dediquei bastante para fazer um bom trabalho, especialmente para acompanhar meus companheiros de banda, que são fantásticos. Sobre influências, não busco soar como alguém e nem sigo um estilo específico. Cada música pede um tipo de solo e expressão diferente. Em algumas músicas, o solo é mais melancólico e triste, refletindo a letra e o conceito, enquanto em outras, há uma certa agressividade e dissonância, pois é o que o som pede. É um desafio constante adaptar o estilo à necessidade de cada música. Mas posso falar de influências ao longo da minha formação enquanto guitarrista. Marty Friedman, por exemplo, um guitarrista que admiro há muitos anos. Ele tem a capacidade de criar solos lindos que fogem da teoria musical tradicional. As alavancadas insanas do Dimebag também. De modo mais abrangente, tem bandas com trabalhos de guitarra que admiro demais, como o Arch Enemy nos seus primeiros álbuns e o Death nos seus últimos, certamente ouvi muito ao longo da vida.
Tenho os dois primeiros eps de vocês que peguei inclusive em mãos na abertura para os gregos do Nigthfall em Florianópolis-SC, ano passado.(2024) Eu gostei muito desse novo trabalho! Estou ouvindo direto. São 11 poderosas faixas. Acho um álbum muito diversificado e com vários momentos maravilhosos para quem aprecia o estilo da banda. Gosto muito das faixas:Goddess of Disharmony, War Curse e Gates Of Oblivion. War Curse, tem um solo de guitarra que é mágico, épico e cheio de sentimentos e feelings. Tem alguma faixa especial desse novo trabalho que vocês indicariam como um cartão de visita para quem não conhece a banda e porque indicaria ela?
Finita- Ficamos muito felizes com essa leitura precisa e pelo reconhecimento, pois foi um grande esforço criar um álbum denso e sem músicas “pra completar”, por assim dizer. Estamos orgulhosos do resultado e, certamente, todas as músicas são especiais para nós. Cada uma delas foi produzida, trabalhada e aprovada antes de ser lançada. Agradecemos sua percepção e escolha das músicas. Excelente a seleção, pois essas músicas mostram as diferentes facetas da banda. Indicaria particularmente a Goddess, que é uma das minhas favoritas. Ela reflete o conceito do álbum, que explora a ideia de caos e desordem que antecedem o “logos” (razão/ordem) grego. Assim a deidade Caos toma forma como uma deusa que observa de fora o instante que representa toda a nossa ínfima existência, significativa para nós, mas insignificante a ela mesma. Esse conceito não está apenas nas letras, mas também nas harmonias e estrutura musical. A música apresenta momentos de reflexão e beleza, mas também de dissonância e questionamento, especialmente nos duetos vocais e nas guitarras no final da música. Respondendo a questão, esse é um bom cartão de visitas.
Vocês fecharam uma parceria para o lançamento de Children Of The Abyss, com o selo mineiro Eclipsys Lunarys. Leandro Fernandes, vêm fazendo um grande trabalho de sustentação ao estilo mais fúnebre e melancólico, conhecido como Doom Metal. Como vocês chegaram até ele e como rolou essa parceria com o selo?
Finita – Essa foi uma excelente indicação do grande Bruno Añaña (Rebaelliun/Postmortem Inc/M26), que produziu o nosso EP Above Chaos. A M26 já havia lançado um álbum pelo selo e é uma banda referência no doom metal, então esse primeiro contato foi mediado pelo Bruno. Quando conversamos com o Leandro, ele gostou do nosso som e curtiu a proposta, e dali começou uma parceria muito forte. Ele é um cara que nos ajuda bastante e faz um excelente trabalho de divulgação para um público que certamente tem afinidade com o tipo de som que fazemos. Além disso, temos nesse álbum o selo da Voice Music, outra parceria que já vem de alguns anos. O Silvio foca principalmente na distribuição do álbum para outros países da América Latina, e isso tem nos ajudado bastante a divulgar o Children Of The Abyss.
Como já citado, a banda tem excelentes músicos e todos bem gabaritados em seus instrumentos. A vocalista Luana contrasta seu vocal lírico com altíssimos alcances, com variações vocais que, além dos gritos mais agudos e vocais cavernosos, que sinceramente me chamaram muita atenção. Acho que ela agrega muito ao som da banda. Quais às influências dela e quando vocês escrevem uma música já vão pensando nos seus vocais?
Finita – A Luana sem dúvida é uma vocalista sem igual, com uma grande sensibilidade e técnica incrível. Sobre as influências, nas palavras dela: “Angela Gossow, Floor Jansen, Freddie Mercury, AnnLouice Lögdlund, Nina Hagen, Nergal… nessa ordem mesmo haha”. Na hora de compor, temos muita liberdade, porque sabemos que ela entrega, sempre colocando sua sensibilidade a favor da música e procurando entender a ideia para interpretá-la da melhor maneira possível.
Tenho me interessado muito em saber como os grupos percebem sua própria música. Qual é a inspiração por trás da Finita? Por exemplo, é óbvio que o som de vocês tem influências de Black Metal, Death Metal, Doom Metal, a banda é do Rio Grande Do Sul e vejo algumas influências de música nativista/milonga, em algumas partes do instrumental, mas principalmente nos vocais da Luana. Faz sentido essas minhas análises ou não?
Finita – Sim, isso faz muito sentido. Sua análise é muito precisa. Além do metal extremo, também temos a influência da música erudita. Metade da banda estudou música clássica em algum momento da vida, o que se reflete diretamente na técnica e no desenvolvimento das nossas composições. A música nativista também está presente, especialmente na guitarra e nos teclados. Uma curiosidade é que, durante a pandemia, fizemos lives acústicas com violão e gaita, o que evidenciava bem a natureza nativista de alguns sons. Vale destacar que o pai do nosso tecladista, Seu Júlio, é um gaiteiro reconhecido na região, o que certamente contribui para essa influência.
Pois é, cara eu também sou do Sul do Brasil e minha família por parte de pai é da região de Passo Fundo-RS e eu nasci em Foz do Iguaçu,no Paraná. Moro há 25 anos no litoral norte catarinense. Gosto muito de milonga gaúcha e não daquela música tradicional gaúcha tipo Gaúcho Da Fronteira ou Baitaca. Sou um grande admirador de Vitor Ramil, Leopoldo Rassier, José Claudio Machado entre outros grandes compositores gaúchos. No Brasil, o headbanger não cultua, ou melhor, não respeita bandas que misturam o heavy metal com música tradicional brasileira. Um exemplo: todo mundo torceu o nariz para o disco Roots (1996) do Sepultura e principalmente a galera mais true. Outro disco massacrado pelos fãs mais ortodoxos foi o Holyland, do Angra, também lançado em 1996. Mas é engraçado que essa mesma galera paga pau para bandas norueguesas que misturam o metal com a cultura viking e aí está tudo certo, criticar “a batucada brasileira” e aplaudir Odin e os Vikings. Qual sua opinião sobre esse assunto polêmico? Vocês não têm receio de colocar essas influências de música nativista tradicional de seu estado em suas músicas?
Finita – Que legal!! É isso mesmo! A música brasileira é muito rica e faz sentido que nos toque e influencie. Essa discussão é muito boa e eu vou entrar nela por uma perspectiva diferente. A Escola de Frankfurt, da filosofia alemã (em especial com Adorno, Horkheimer e Walter Benjamin), discutia muito sobre como a arte estava mudando na primeira metade do século XX. Com a reprodutibilidade, passamos a fazer cópias em massa do que produzimos – não se pinta mais um quadro único, mas sim algo que pode ser reproduzido milhares de vezes. O mesmo acontece com a música: não se cria mais uma obra para ser apresentada uma única vez, mas sim para ser gravada, tocada nas rádios e distribuída em massa. Isso mudou a forma como pensamos sobre a arte. Em vez de focar no produto final único, passamos a pensar na arte como um produto comercial. Ou seja, primeiro pensamos no que as pessoas vão gostar e depois criamos a obra. Isso, na minha opinião, é um erro terrível. Quando priorizamos agradar ao público em geral, deixamos de criar arte e começamos a fazer produtos. Mas o metal, especialmente o metal extremo, nunca foi sobre isso. Chamamos de Underground por um motivo. É um público menor que não segue padrões da música pop. Os críticos de sofá sempre existiram, já reclamaram dos nossos teclados, dos vocais femininos nas músicas ou influências culturais locais, mas se ouvirmos essa galera, vamos fazer mais do mesmo e criar um produto para agradá-los e esse não é o nosso legado. Nossa música é para quem busca algo novo, diferente e único. Quem vive do passado pode criticar, mas nós simplesmente ignoramos e continuamos criando para quem realmente aprecia nossa arte.
Parabéns pela postura da banda! Exatamente cara, a arte não foi feita para agradar público A ou público B. A arte é livre e principalmente para chocar a sociedade e o Status Quo. No metal extremo ou no underground como você mesmo citou o público é mais exigente, mais apaixonado e é triste ver bandas mudarem sua sonoridade, seus pensamentos e sua postura por dinheiro e acabam criando “um produto sem alma e sem sentimentos”. É interessante que 99% de suas composições sejam em inglês. Mas em todos os trabalhos de vocês foi inserida uma faixa com letras em português. Por exemplo: no full length “Voices From Sanatorium” de 2015 tem a música: Vazio. Em Above Chaos, de 2020, neste EP constam duas faixas na língua pátria: Valsa dos Exumados e Aurora. Em Children of the Abyss, encontra outra belíssima faixa, Fortuna. Confesso, que achei muito legal essas músicas em português. Vocês têm planos ou já pensaram na possibilidade de lançar um álbum todo em português no futuro?
Finita – É exatamente isso! A arte vem em primeiro lugar. As músicas em português surgiram naturalmente, como no caso da Vazio, que começou como uma poesia, e da Aurora, que nasceu como uma milonga. A Valsa dos Exumados também veio naturalmente, as rimas e a pronúncia tensa das palavras são mais impactantes do que seriam em inglês. Algo semelhante aconteceu com a Fortuna, do nosso novo álbum. A métrica e o jogo de palavras têm certa complexidade, mas tudo veio de forma natural, como se tivesse que ser em português. E, dessa forma, sempre deixamos um rastro, uma marca que mostra que somos do Brasil, pensando também no público daqui que não tem domínio do inglês. Quanto a lançar um álbum inteiro em português, até agora nunca tínhamos pensado nisso. É uma ideia interessante, mas adotamos o inglês porque é uma língua universal, o que nos ajuda a levar nossa arte cada vez mais longe. Graças a isso, há pessoas ouvindo nosso som do outro lado do planeta, e o inglês serve como uma ponte para que possamos ser compreendidos por lá. Uma curiosidade é que o nome da banda foi pensado para soar bem em português, marcando nossas raízes, mas também para ter correlatos em outras línguas.
A banda existe desde 2010, né? Gostaria que vocês nos falassem um pouco mais do full length “Voices from Sanatorium” de 2015. Pesquisei sobre a banda e no metal archives, consta que esse trabalho saiu independente e só no formato digital. Ele não ganhou uma edição física e se não, vocês teriam interesse em lançá-lo?
Finita – Sim, fazem 10 anos desde o lançamento, e é um trabalho que nos orgulha bastante. Apesar da produção não ter a mesma qualidade dos últimos trabalhos que lançamos, ainda assim teve boa vendagem, incluindo entregas para o Japão, Alemanha e França, o que nos deixou muito felizes na época. Ver um trabalho tão singelo alcançar um público tão distante foi incrível. Por outro lado, marca outra época da banda. Depois disso, pesamos mais a mão, baixamos a afinação, adotamos uma postura mais profissional, o que nos manteve mais conectados com os trabalhos posteriores.
Em 2018, vocês lançaram o EP “Lie” de forma independente, né? Lançaram independente ou vocês optaram desta forma para ter mais controle sobre a arte de vocês? E como foi que Underground recebeu esse trabalho?
Finita – Sim! Gostamos de ter liberdade e controle sobre nossa arte, mas sempre respeitamos os artistas que trabalham conosco. Nesse sentido, o mais importante é sempre ter bom diálogo com os produtores, artistas gráficos e todo mundo que faz parte do processo. Além disso, tivemos apenas sondagens de gravadoras grandes, mas nada fechado. Portanto, seguimos sem esse dilema. O Lie teve a produção do Leo Mayer e o EP teve uma recepção excelente. Abriu algumas portas, em especial para tocar em grandes eventos do underground do sul.
Em 2022, vocês fecharam a parceria com o selo mineiro Eclipsys Lunarys e lançaram o EP Above Chaos. Quais às diferenças desse trabalho em comparação ao Full Álbum: Voices From Sanotorium e o EP Lie?
Finita- O Above Chaos é um trabalho maduro da banda, e contou com a excelente produção de Bruno Añaña, que tem um olhar diferenciado para a produção de metal e é um grande nome no underground. Ele já conhecia a banda e, como produtor experiente, conseguiu extrair de nós exatamente o que era necessário para criar um ótimo EP. Um aspecto interessante é que foi o primeiro trabalho de imersão que fizemos, com vários dias de gravação, resultando em um som bem orgânico. Além disso, tivemos muita liberdade para experimentar outros instrumentos e fazer testes, o que foi muito bacana e fez todo o trabalho dar certo. O EP também conta com a incrível arte gráfica de Fran Cullau, que acertou em cheio na capa.
Assisti uma apresentação da Finita em Florianópolis, no Haöma Bar, abrindo para os gregos do Nigthfall e me surpreendeu a performance de vocês. O que envolve um show ao vivo da Finita? Podemos esperar ver apresentações da Finita, com mais frequência em solo catarinense?
Finita – O show é sempre a melhor parte da música. A gente gosta muito de estar na estrada e mostrar nosso trabalho ao vivo. A ideia é criar um momento sombrio e tenso nos eventos para apresentar cada música com a sua devida atmosfera. Sobre o show em Floripa, foi o último dia da mini-tour com os gregos. Trocamos uma ideia muito legal e fechamos a casa. O dono do Haöma é muito gente boa. Tocamos algumas vezes em Santa Catarina e é sempre muito bom. Os produtores, as bandas e o público são fantásticos. Sempre que pudermos, vamos tocar por lá!
Em 2020, vocês gravaram um disco ao vivo, intitulado “Live at Metal Sul Festival”. Como rolou essa gravação, produção e ficou do jeito que vocês planejaram? Gostaria que vocês explicassem para os admiradores da banda que não tiveram a oportunidade de vê-los ao vivo o que eles podem esperar de uma apresentação da banda?
Finita – O álbum ao vivo tem uma história curiosa. Inicialmente, não tínhamos planos de gravar um Full ao vivo, pois achávamos que isso era mais adequado para bandas maiores e mais experientes. No entanto, sabendo que o Metal Sul Festival seria um evento de alta qualidade, fizemos uma parceria com a Nitro Sound de Caxias para gravar alguns registros das músicas. A ideia era lançar eventualmente uma música ou outra que tivesse ficado do agrado da banda.
Falando em show, eu lembrei de um episódio triste na passagem de vocês em Floripa abrindo para os gregos da Nigthfall. Naquele abril de 2024, o estado do Rio Grande Do Sul estava sofrendo a maior enchente de sua história. E vocês fizeram um grande sacrifício viajando de van de Santa Maria, até Floripa e desviando a rota e aumentando o percurso para honrar tal compromisso. Inclusive, eu achei interessante que vocês no palco falaram: que todo o merchandise vendido naquela noite seria para as vítimas da enchente. Achei interessante á atitude de vocês! Claro que a Finita não é um Iron Maiden e nessas tragédias tudo que se arrecada é bem-vindo, né? Inclusive, eu mesmo estava com a grana contada e acabei pegando para ajudar os cds: Lie e Above Chaos. Finita, tem uma boa relação com a cena catarinense e inclusive, já participaram duas vezes do famoso festival, Otacílio Rock, organizado pela querida amiga Nani Poluceno. Como você vê a cena de Santa Catarina e vocês já tocaram em outros estados do Brasil?
Finita – Foi um episódio marcante. Uma tragédia que atingiu o Rio Grande do Sul no início de 2024. Lembro que discutimos muito se deveríamos tocar fora da região, considerando o que estava acontecendo. Mas decidimos seguir em frente, pois nunca tínhamos cancelado um show e queríamos manter essa postura. Todo o dinheiro arrecadado foi convertido em doações para as vítimas das enchentes. Conseguimos mobilizar uma verba significativa, compramos alimentos e itens de higiene e, com a ajuda do Gárgula, que estava fazendo um excelente trabalho de coleta, fizemos as doações. Gravamos vídeos na época para mostrar ao público e inspirar outras bandas. Santa Catarina tem uma cena diferenciada. Notamos uma união entre os produtores, que se esforçam para levar eventos de qualidade por todo o estado, sem coincidir datas. O público é muito fiel e movimenta bastante a cena. Além disso, a qualidade das bandas é excelente. Sempre que vamos lá, reencontramos pessoas conhecidas e gostamos muito da cena catarinense. Esperamos voltar muitas vezes! Além de SC, tocamos também no Paraná e em São Paulo.
O estilo da banda está inserido no metal extremo. Em seu DNA o Finita tem muito de black metal, doom metal, gothic metal e death metal em suas devidas proporções é claro. Eu colocaria o som da banda como dark metal. Como você definiria o estilo da banda?
Finita – Essa questão é bem interessante. Sempre tivemos dificuldade em definir o estilo da banda, pois temos diversas influências e as músicas são muito variadas. Com isso, acabamos recebendo muitos rótulos e títulos diferentes. Nos últimos anos, adotamos o termo “dark metal” porque ele condensa bem a ideia de uma banda de metal extremo com influências de black metal e doom/gothic metal, que é próximo do que tentamos fazer. Embora soemos diferentes de outras bandas de dark metal, acreditamos que esse estilo é bastante interessante e gostaríamos que fosse mais explorado. Nesse sentido, acredito que você foi certeiro ao associar a banda ao estilo. Parece a melhor definição para a nossa banda.
O Rio Grande Do Sul é conhecido por ter uma cena muito extrema. Veio daí os principais expoentes do brutal death metal brasileiro e temos o grande Krisiun, que é gaúcho e digamos começou tudo isso na cena brutal death metal e tem também Bestial, Exterminate,Raebelliun, Sarcastic e muitas outras bandas nessa pegada mais brutal. Mas existem também bandas que são muito respeitadas no cenário doom metal, como o grande desbravador das sinfonias tristes Serpent Rise e bandas importantes como: A Sorrowfull Dreams e M26. Vocês têm contatos com essas bandas e como é o relacionamento de vocês com o cenário gaúcho extremo?
Finita – O Rio Grande do Sul produziu bandas lendárias que sempre foram uma escola para nós. Krisiun, Exterminare e Rebaelliun tocaram em Santa Maria e Porto Alegre várias vezes. Todos são muito acessíveis e sempre dá pra trocar uma ideia. Bandas como Rebaelliun, ASD e Serpent Rise são próximas e criamos uma amizade legal ao longo dos anos. A ASD é uma inspiração, e tivemos a oportunidade de tocar juntos. Foi o Eder, vocalista da ASD, quem disse que somos Dark Metal. Com a Rebaelliun, também tivemos a chance de tocar algumas vezes e é sempre bom encontrar eles nos festivais, pois são muito parceiros. Uma curiosidade é que o Bruno Añaña (Rebaelliun e M26), que produziu nosso EP Above Chaos, foi meu colega de ensino médio e meu primeiro professor de guitarra. É uma alegria ver ele conquistando espaço na cena, pois ele merece muito. Já a Serpent Rise é uma das pioneiras do doom metal no Brasil, liderada pelo grande Agnaldo. Ele produziu bons festivais em Santa Maria, nos quais tivemos o prazer de tocar. É uma grande parceria e influência para nós. Essas bandas fazem parte da nossa história, e é uma alegria poder acompanhar a trajetória delas.
Ah, verdade cara, vocês são de Santa Maria e o Agnaldo/Serpent Rise, são dá mesma cidade. Nos anos 90, eu me correspondia com o Agnaldo e tenho o debut álbum deles e a demo tape! Sou um grande admirador do doom metal/dark metal e death metal mais arrastado. Vocês acompanham a cena doom metal do Brasil e que bandas do estilo tem chamado atenção de vocês? E outra coisa: como vocês vêem a cena doomers brasileira contemporâneo?
Finita – O Rio Grande Do Sul, é o berço de muitas bandas lendárias e Santa Maria tem uma história muito forte dentro do rock e do metal. Nos sentimos privilegiados de poder acompanhar grandes nomes da cena e aprender muito com eles. Em Santa Maria, além da Serpent Rise, podemos citar a Ethereal Embrace, banda excelente na ativa que faz um doom fantástico e em português. No cenário nacional, destacamos a banda Ode Insone, com uma vocalista excelente e músicas muito boas. Embora ainda não tenhamos tido a oportunidade de vê-los ao vivo, certamente é uma das indicações nesse estilo. Acreditamos que o público carece de mais bandas e fests apostando no estilo, sem dúvida.
Chegamos ao fim dessa entrevista. Quero agradecer pelo bate-papo e antes de encerrarmos, quais os planos futuros da banda e suas considerações finais! Abraço e força- sempre!!!
Finita – Primeiramente, gostaríamos de agradecer imensamente pelo espaço concedido e pela oportunidade de compartilhar nossa trajetória com o público. Foi um prazer refletir sobre nossos 15 anos de banda e nos conectar com aqueles que ainda não nos conhecem. Esse ano, temos planos emocionais: vamos comemorar nossos 15 anos com uma festa especial e, se tudo der certo, lançaremos um livro ainda este ano. Além disso, em novembro, viajaremos para a Argentina para participar do Bien Extremo Fest, que será nossa primeira apresentação fora do país. Olhando para o futuro, estamos estudando a possibilidade de fazer mais shows pelo Brasil e, quem sabe, uma turnê pela Europa nos próximos dois anos. Sabemos que é um desafio, mas temos um público espalhado por aí que nos apoia, e gostaríamos de conhecer cada vez mais essa galera. Muito obrigado novamente pelo espaço. Para quem está nos conhecendo agora, convidamos a ouvir nosso som, ver nossos clipes recentes e entrar em contato conosco – adoramos interagir e conhecer vocês. Um grande abraço, e estamos juntos sempre!