Cova Rasa Fest – Ethel Hunter (Curitiba-PR) Cujo Death (Desterro-SC) Infernal Atroz (Blumenau- SC) Contestado (BC-SC)
Local – Baixo Centro- Florianópolis (SC)
Data – 07/08/2026
Fotos By – Walter L. Bacckus
No dia do show no litoral norte catarinense, tivemos quatro estações no mesmo dia, inclusive com chuvas. Isso me fez considerar desistir de ir ao evento. Cheguei na ilha da magia no início da noite, sentindo um friozinho, com um vento gelado, típico do litoral.
Rumei para o antigo Haöma bar e, infelizmente, descobri que agora está sob nova direção. Os antigos proprietários eram do underground e entendiam bem como funcionava a cena metálica, sempre apoiando o underground. Logo no começo, fui usar o banheiro e quiseram me cobrar 5,00 reais para usá-lo.
Eu comentei que tinha comprado o ingresso, mas ainda não havia retirado a pulseira. Acabou gerando um pequeno estresse. Usei o banheiro e achei que o atendimento do bar e as pessoas que estavam trabalhando não entendiam muito bem da coisa (…) Mas, de qualquer forma, eles são funcionários!

O show começou exatamente às 22 horas e um público modesto compareceu para apoiar as bandas. Percebi mais uma vez que muitas bandas e músicos da cena de Florianópolis não compareceram para apoiar às bandas.
E assim, os bares vão fechando suas portas para o metal, e produtores acabam desistindo de organizar eventos. Fica complicado realizar shows sem público e apoio para cobrir as despesas.
O underground deveria ser um espaço de apoio e união. É claro que nem sempre é possível ir a todos os shows, mesmo com ingressos custando apenas 20,00 reais antecipados e 30,00 na portaria. Às vezes, compromissos com trabalho ou família surgem, mas frequentar o rolê só quando a sua banda toca no evento é complicado.
A abertura da noite ficou por conta da banda Cujo Death, de Florianópolis, que começou suas atividades em 2009. Em 2011, lançaram a demo tape Six Bells of Fate. É um trio composto por Gregor Holmes na guitarra e vocais, Pedro Panzera no baixo e Johnny Santana na bateria. Coube aos garotos de Floripa dar início aos trabalhos, e eles entregaram um setlist com dez composições próprias que mesclam letras em português e inglês e tocaram um cover de uma banda brasileira.
O Cujo faz um death metal rápido e pesado, naquela pegada dos anos 1990, com influências de hardcore. As músicas são simples e diretas! Destaque as músicas Morbid Pleasures of Madness, Paralelo 11 e Manicômio. As duas últimas foram recentemente lançadas como singles nas plataformas de streaming. Manicômio tem um refrão contagiante,matador e grooveado fazendo que o público abrisse rodas e cantasse junto com o vocalista.
Eles fizeram uma versão inusitada da música A Morte, da banda Hipnose Death, de Manaus. Fizeram um bom show!
A próxima banda é o Contestado, de Balneário Camboriú, e os caras destruíram tudo com seu thrash metal clássico, poderoso, agressivo e impactante.

A começar pela origem do nome da banda Contestado foi inspirado em um conflito armado que ocorreu entre 1912 e 1916 na região que faz divisa entre os estados de Santa Catarina e Paraná. As letras da banda abordam esse terrível evento que assolou ambos os estados. Chamar a atenção para esses fatos já é um bom motivo para prestar atenção no trabalho deles.
A banda é relativamente nova, formada em 2025. Conta com a experiência do veterano Cássio Casarin na bateria, que já passou por diversas bandas da região, como Opium e Grotesque Glory, e atualmente é o baterista da Antichrist Hooligans, de Florianópolis.
Além dele, a formação tem Gabriel no baixo e vocais, e Lasanha na guitarra. O trio catarinense começou seu show com a música Gears Of Hell, lançada como single, que apresenta um riff contagiante logo no início e segue brutal e rápida. Em seguida, tocaram Blood On The Leaves, uma faixa que começa de forma mais cadenciada e vai crescendo até se transformar em uma cacetada com guitarras afiadas e uma bateria rápida com pedais duplos brutais.
Mandam mais uma música própria com ‘Let There Be Blood’, enquanto o público só presta atenção no palco para recuperar as energias.
Gabriel, vocalista e baixista, vai ao microfone e diz: A próxima música é uma das antigas, que teve uma grande influência sobre nós. Vamos tocar um cover e anúncia: Inner Self. O público vai à loucura! A pista se transforma em um pandemônio! Rodas se abriram, criando um clima de caos total! O cover ficou perfeito, demonstrando o impacto que o clássico Sepultura ainda causa no público headbanger!
A banda apresenta uma música própria em português, intitulada Maria Rosa do Contestado. Estamos nos aproximando do final do show e mandaram as duas últimas músicas.

O som do Contestado transita entre o thrash metal clássico da metade dos anos 1980 e o thrash metal do final dos anos 1990. Tem muito do velho Slayer (Seasons The Abyss/1990), Sepultura (especialmente Chaos A.D./1993 e Roots de 1996) além de Nailbomb, pela fúria e caos, e, em algumas partes dos vocais, tem influência de Kreator.
Os caras mandam mais um cover clássico e, mais uma vez, o público ficou em êxtase ao ouvir a introdução de guitarra de Angel Of Death. A execução foi perfeita, intensa, caótica, furiosa e agressiva
Finalizando com From The Pain. Essa música é o encontro perfeito das influências da banda. Imagine o vocal de Mille Petrozza encontrando Max Cavalera, com aqueles gritos insanos, com um instrumental na pegada do velho Slayer, Kreator e Sepultura, com passagens bem trabalhadas e groove marcante.
Final do show repleto de brutalidade e uma devoção ao clássico thrash metal. Fazia bastante tempo que eu não assistia a uma banda desse estilo, e isso me fez voltar aos anos 1990, quando eu era adolescente e apaixonado pelo thrash metal!
Eu ainda sou, mas depois daquela onda do início dos anos 2000 com o famoso “thrash retrô” de bandas como Bywar, Farscape e Violator, para mim acabou perdendo um pouco o sentido.
Em cada esquina, tinha uma banda com coletinhos cheios de patches, tênis brancos, cintos de balas e calças justas, cantando sobre cerveja. O thrash metal é muito mais do que isso. O som do Contestado me fez relembrar o poder e a intensidade do verdadeiro thrash metal!
A penúltima banda da noite, Ethel Hunter, vem de Curitiba, Paraná. Subiu no palco, trazendo a brutalidade e o peso característicos do death metal old school, aliando agressividade e técnica.
Larissa Pires e seus asseclas já mandaram as músicas Depths Of The Oceans e An Unless Desire, ambas do último álbum de estúdio deles, intitulado Absence Of Light, lançado em 2025. O setlist passou por todos os discos, com ênfase na divulgação do novo trabalho. Além disso, tocaram mais duas pedradas impactantes: Feel The Dirt Under Your Skin e Unbearable Duel, resgatando para o público algumas músicas do EP Chasm Of The Souls, lançado em 2023.
Esses curitibanos são matadores ao vivo! Seus riffs são pesados, trabalhados e brutais. A banda já faz parte do underground brasileiro desde 2012 e contando em sua formação com músicos experientes, com passagens por bandas respeitadas da cena curitibana.
Além da vocalista mencionada, Larissa, a banda conta com o talentoso baixista Hernán Rodrigues, Weliton Lisboa na bateria e Gerson Watanabe na guitarra.
Retornando ao novo álbum, foram executadas as músicas Uncertainty Of Existence e Witness Of Darkness. Todos os músicos tocam seus instrumentos com maestria, mas o baixista Hernán se destaca de maneira excepcional. Ele toca com técnica, virtuosismo, fúria e muito concentrado! Em meio à brutalidade do death metal, o baixo se destaca forte e poderoso, com uma pegada de jazz.
Caminhando para o final da apresentação, os curitibanos tocam músicas do seu full álbum Consciousness Awakening, lançado em 2020, e tomem cacetadas como Ignoble Redemption, Twilight Darkness e Nomade. É realmente gratificante poder prestigiar uma banda tão coesa, que proporciona um show violento, intenso, furioso e técnico, sem soar cansativo ou artificial!
O som da Ethel Hunter é um death metal clássico! Influenciado por bandas como Cannibal Corpse, Morbid Angel e Immolation, tem uma uma pegada também do velho thrash metal, principalmente na abordagem do baterista Weliton. A vocalista Larissa Pires tem um vocal poderoso, agressivo, brutal e cavernoso, trazendo toda uma carga caótica na apresentação da banda.
Ela é um pouco tímida ao se comunicar com a platéia, mas transmite toda a sua energia nas músicas e agita bastante no palco. Os curitibanos fizeram um show devastador e conquistaram o público em sua terceira apresentação na ilha da magia.
Encerrando o evento, os thrashers de Blumenau trouxeram seu fudido black thrash metal satânico. Os insanos da Infernal Atröz subiram no palco e apresentaram um show infernal, com muita fúria e blasfêmia.
O ritual satânico começou com uma intro e mandaram hinos profanos e anticristão, como ‘Diva Satânica’, ‘A Noite da Caçada’ e ‘Infernal Atröz’. Hinos negros entoados pelo vocalista Kvalcant em português, e o público cantando os refrões.
Além de Kvalcant nos vocais, a banda conta com Anarcö Infratör no baixo, Renegade 666 na guitarra e Face Of Darkness na bateria. Eles destruíram tudo com sua apresentação, e o público apoiou a banda do início ao fim nesta sua primeira apresentação na Ilha da Magia.
A brutalidade e o caos satânico continua com Eles Desejam A Morte, Cantando Para Os Mortos e Necromancia. A Infernal Atröz executa um black thrash metal com uma sonoridade rápida, agressiva e crua,um instrumental simples e direto.
As influências da banda passam por Flagelador, Vulcano, Sarcófago e Desaster. Para encerrar a apresentação profana, foram tocados os últimos hinos negros, Black Thrash Massacre e a missa negra Azazel. Com muita fúria e rebeldia, esse show é uma ode ao metal dos anos 80, com vocais agressivos e rasgados que conquistaram o público, deixando o palco ovacionados pelos headbangers!
Durante uma conversa com os integrantes, eles comentaram que estão no estúdio finalizando o álbum completo da Infernal Atröz. Até o final do ano, teremos mais um grande lançamento do metal negro brasileiro para os amantes e cultuadores do metal nacional.