
Atropina (Death Metal/Rio Grande do Sul) Alocer (Black Metal/Santa Catarina) Pain Of Soul (Doom Metal/Santa Catarina)
Data- 14/06/2025
Local- Bar do Castelo/Porto Belo-SC
Fotos By- Walter L. Bacckus
Os portões do Bar Do Castelo, na cidade catarinense de Porto Belo, abaixaram-se novamente para receber mais um evento de metal extremo e celebrar o underground brasileiro. Aliás, vale citar aqui: o Bar Do Castelo é perfeito para eventos relacionados ao metal e explico porque, na minha humilde opinião, é claro.
A arquitetura do bar nos remete, sim, a um “castelo medieval” e sua memorabilia também. Dentro do recinto encontra-se uma decoração muito bem cuidada e escolhida pelos donos, com extremo bom gosto e muitos desses objetos talhados à mão pelo proprietário do bar e artesão Ederson “Medieval”e administrado pela sua esposa Lilian Valiati. É uma viagem pelo mundo da idade média. Escudos, elmos, espadas, facas e machados, caveiras, armaduras, estátuas de cavaleiros medievais e um trono para reis e rainhas.

É claro: muitos outros objetos ligados à cultura rock/metal. Essa pequena introdução é para constatar que o Heavy Metal sempre teve essas influências medievais em suas letras e muitas bandas foram influenciadas por filmes e literatura com essa temática.
Divulgando o terceiro álbum lançado em 2024, intitulado “Gray Bird Melody”, os doomers catarinenses da Pain Of Soul, fizeram um set focado nesse último trabalho. Estão colhendo os frutos da ótima recepção que receberam da crítica especializada e do público.
Começaram o show com a última faixa que saiu de bônus no Gray Bird Melody e já mandam : Climbing e Bitter As Bad Wine e a música que dá nome ao recente disco lançado. Para apreciadores do estilo que gostam de músicas arrastadas, soturnas, com peso e partes atmosféricas e vocais etéreo, os doomers fizeram a alegria dos presentes.
Seguindo com o arrastar de correntes a próxima música Serenity, com Daniela sussurrando em nossos ouvidos uma melodia de anjo. Uma mescla perfeita entre luz e sombra com os vocais guturais e cavernosos de Joel que também cuida das seis cordas. Quem conhece o trabalho da Pain Of Soul ou já teve a oportunidade de vê-los ao vivo sabe que são ótimos músicos e bem criativos.
A próxima música é uma das minhas preferidas do novo disco e chama-se: Pharaoh’s Funeral e foi muito bem aceita pelo público presente. Com melodias árabes e influências de puro heavy metal tradicional em seu instrumental. É lindo! Que música perfeita!
Tocaram mais uma do último disco, era vez de Madness Maze. Peso, guitarras bem executadas e soturnas, baixo poderoso e bateria mesclando partes trabalhadas, cadenciadas e vocais angelicais.
Para fechar a apresentação da banda voltaram ao passado e mandaram: The Rustle Of The Leaves, música que também dá nome ao disco lançado em 2013 e Dark Lord, que fecha o disco The Cold Lament, de 2011. Ótima música para fechar o show ela é mais pesada, furiosa e com vocais guturais de Joel. Música direta e agressiva. Aline Bonates, baixo, Eduardo Follmer, bateria, Mailon B., guitarra e os já citados Joel e Dani fizeram um show muito bom! Saíram aplaudidos do palco. Conversando com a baixista ela me disse: Que eles estão se organizando para em breve fazer uma tour pelo norte e nordeste do Brasil, levando as sinfonias tristes sulistas aos irmãos doomers do Nordeste.
A segunda banda da noite é o grande duque do inferno Alocer e seu black metal frio, ríspido e medieval. A banda despertou do abismo profundo e obscuro em 2000 e manteve uma formação estável inclusive lançando o full length, By Triumph Of The Eternal Conquest (2001) que foi muito bem aceito pelo cenário da época, mídia especializada e público.

Fizeram muitos shows pelo Sul do Brasil e uma passagem pela Argentina. A banda residia em Balneário Camboriú-SC, e por volta de 2006 a formação clássica se separou e coube ao guitarrista Shemraforash levantar a espada banhada de sangue e continuar á levar o nome da Alocer pelo submundo.
Sempre trocando de formação, não é fácil manter uma unidade estável no underground, mas fato que o cara, tem faro para resgatar bons músicos para a banda. Esse é o primeiro show que assisti com os novos integrantes. Aline Bonates,no teclado, Follmer, no baixo e Berkeley Bisneck na bateria, além do já citado guitarrista e único membro original, temos também L. Scarlat no vocais e essa garota tem uma presença de palco insana e vocais que vêm direto do inferno.
Mantendo os vocais na linha da antiga vocalista, Zasvanna Abigor Margoth mas com identidade própria, e muito mais furiosa que a vocalista original, que inclusive gravou o full length, no início dos anos 2000.
Com uma introdução macabra e muita fumaça no palco com luzes branca/preta, criou um clima mais tétrico e obscuro, dando início ao set matador e blasfemo. E executaram os hinos negros: Triumph of Evil e Battle of the Unholy Warriors. Agora era hora de mandar o clássico Soul Of Silence que inicia com uma melodia no teclado e depois vai para velocidade e brutalidade, com belas melodias de guitarras, bateria rápida e levadas cadenciadas, com refrões para o público cantar juntos com os vocais insanos e muito bem interpretados pela vocalista.
Mais uma música do último lançamento, The Victory Of Darkness Raiders de 2024 e mandam, Alocer Empire. A banda manda mais dois clássicos do full length, By Triumph…: The Forest Of Ritual e Return Of The Pentagram, com peso, fúria, guitarras com riffs obscuros e gélidos, baixo, teclado e bateria trazendo todo o “clima medieval”, anticristão e profano, que esses hinos nos transmitem.
Chegamos ao final da apresentação do grande duque do inferno com os hinos maléficos; The Blood Rain From The New Age, The Voice From Hell e Ceremony Obscure.
Ceremony Obscure é clássico do black metal catarinense. Alocer, fez uma grandiosa apresentação! As cinco pontas do pentagrama estão completas. Essa formação está coesa e bem entrosada. A batalha com os guerreiros profanadores continua e o ritual nas florestas obscuras será eterna. Hail Alocer!
Fechando a noite, os gaúchos do Atropina da cidade de Teutônia, finalizando a sua bem sucedida divulgação ao trabalho “Prego Em Carne Podre”, de 2021. Os gaúchos fizeram várias tours pelo Sul e Sudeste do Brasil e passaram também pelos países da América do Sul, Argentina e Uruguai.
Essas são as últimas datas, e a tour final em suporte ao último trabalho. Os caras caíram na estrada, uma última vez, antes de entrar em estúdio com “Atropina Derradeiro Prego Tour/2025” fazendo sete datas, pelo Rio Grande Do Sul, Santa Catarina, Paraná, capital paulista e interior paulista.
Em 2023, era para eles terem tocado em Porto Belo nesta mesma casa, infelizmente o show foi adiado. Mas desta vez deu certo e agora os gaúchos trouxeram o seu show insano, anticristão, blasfemo, ao litoral Norte catarinense.
Abriram sua apresentação com uma “Intro” e mandaram Degeneradas Civilizações e Prazer Santificado, e também Mallevs Maleficarvm. Para dar um clima mais obscuro, mais uma intro e era a vez de Prego Em Carne Podre, que show violento! Os gaúchos descem a paulada na cabeça dos insanos metalheads.

Apresentaram uma nova música chamada: O Último Suspiro. Música que estará no próximo álbum. Conversando com Murilo Rosa (vocal) e Alex Alves, guitarrista, me disseram que tem 4 músicas novas e em breve entrarão em estúdio e um novo petardo será lançado.
Sob a nova composição achei matadora! A banda está indo mais para o death metal tradicional naquela vibe dos anos 90. Rola uma intro + Anjo Doentio e Blasfêmia Eterna. E tome riffs agressivos, cozinha matadora com baixo e bateria muito bem entrosada e caos total.
A banda focou o set praticamente no último trabalho de 2021 e mandou Vociferando Sangue.
É incrível como os gaúchos fazem um show violento! É uma máquina de guerra! O vocalista Murilo com seus ataques epiléticos e seus vocais brutais mesclando entre gutural e rasgado incendeia o palco e chuta a bunda de posers e conservadores infiltrados no submundo.
O show foi direto e chegamos ao final da sua apresentação.
A banda apresentou 10 pedradas e mandou as duas últimas músicas de um violento death black metal e Murilo Rosa, (V) Alex Alves, (G/backings vocals) Fernando Müller, (G) Cleomar Schmitzhaus, baixista e Jonas Jacobs, baterista, apresentam mais uma nova música e gostei muito dessa composição, a penúltima pedrada chamada: A Verdade Obsoleta. Como já disse: as composições desses gaúchos sempre foram muito furiosas e misturando death black metal extremo e violento. Nessas duas novas músicas os caras estão trafegando um caminho mais numa pegada death old school e como sempre bem técnico, brutal e maléfico.
Quem acompanha o Atropina em estúdio ou já viu um show deles sabe que o instrumental é uma verdadeira destruição. Bateria na velocidade extrema, mas sem deixar de ser bem trabalhada e executada com maestria. Solos de guitarras perfeitos e baixo absurdamente pesado e dando suporte nos graves e com os vocais insanos e a presença de palco do vocalista, faz do Atropina uma máquina de guerra e um grande nome do cenário extremo brasileiro.
A banda finaliza o show deles com Psicopatia e é muito aplaudida pelo público. Fizeram um grandioso show, assim como fizeram à Pain Of Soul e Alocer. Provando mais uma vez que o metal/underground/submundo brasileiro sobrevive e muito bem fora do mainstream. Mais uma vez notei que a cena de nossa região preferem bandas covers ou bandas gringas famosas e muitos músicos da região só aparecem quando tocam. Mas quem saiu de casa e foi até o Bar do Castelo presenciou bons shows e voltaram para suas casas felizes! Apóiem as bandas locais e eventos do submundo. Unidos somos mais fortes!!!