

Um dos nomes mais fortes do brutal death metal brasileiro é o BLAST AGONY, banda pernambucana que, há quase 15 anos vem devastando os ouvidos mais delicados… Se você aprecia bandas como Sinister, Infested Blood, Suffocation, etc, essa entrevista vai dar uma boa ideia do que esses caras tem feito e estão preparando para o futuro de sua música…
Cristiano, primeiramente agradeço pela participação no portal. Bom, o BLAST AGONY está na ativa desde 2011, ou sejam, 14 anos já. Eu já tinha saído de Recife quando vocês começaram. Como foi que o BLAST AGONY teve seu início ?
Tudo começou com Alfredo, ex-guitarrista do Brutal Desfiguration e Acrotomy que foi a banda que deu origem ao Infested Blood, minha antiga banda. Juntamente com Nelio, ex-guitarrista do Gored Blood que me convidaram para fazer uma participação nos vocais do Blast Agony e posteriormente após a minha saída da antiga banda o Infested Blood, firmei nos vogais da banda até hoje.
Como dito na pergunta anterior, são 14 anos de trajetória de uma banda que toca uma das vertentes mais brutais do metal. Para vocês como se deu o desenvolvimento musical da banda desde a sua criação até os dias de hoje ? O som de você sofreu muitas mudanças ou apenas adaptações técnicas ?
O desenvolvimento se deu de forma natural e sintética com as criações das faixas lançadas no EP. Período que houve transição de músicos que acabou acarretando numa nova roupagem, mas sem perder a essencial brutal lançada no EP. As músicas do Álbum já são mais técnicas o que vem ocorrendo nas novas composições do nosso segundo Álbum mostrando a evolução da banda naturalmente.
3) Todos nós temos influências que nos moldam à medida que desenvolvemos nossa música. Para o BLAST AGONY quais foram essas influências e como elas moldaram o som de vocês ?
Devida a minhas influencias desempenhadas nas antigas bandas que participei, hoje continuo a saga Brutal Death Metal. Onde vieram de bandas como Sinister, Monstrosity, Disavowed, suffocation, Disgorge, Brodequin entre outras varias.
Até tempos atrás toda banda dava seus primeiros passos no mundo do lançamentos trabalhando e gravando uma demo tape. O BLAST AGONY pulou essa fase e o primeiro trabalho de vocês foi diretamente um EP intitulado “Inhuman Impalement”, lançado em 2015. Foi uma escolha da banda não lançar uma demo tape ou foi algo que apenas aconteceu ? Como foi a repercussão do público em relação ao material da banda quando ele foi lançado ?
Do início da banda até o lançamento tivemos um tempo para criação das músicas e entrosamentos para shows futuros quando fossemos lançar algo, Optamos por lançar o EP em formato de CD original e de qualidade devido a facilidade de projetar em mídia digital as músicas lançadas. O que revelou uma melhor visibilidade nas mídias digitais. O EP teve uma ótima aceitação do público ocasionando mais agendamento de shows.
Ouvindo o EP “Inhuman Impalement”, o que me chamou imediatamente a atenção foi a brutalidade imposta pela bateria da banda. As partes de blast beats são absurdamente rápidas. Nesse primeiro trabalho havia um baterista real ou isso é bateria programada ?
O baterista foi real, trabalho do Deivison Azevedo “Drumsloud”. \m/, gravado e mixado no J.studio por Joel Lima.
Musicalmente dá para perceber que o som do BLAST AGONY é muito influenciado pelo brutal death metal americano, mas há também algo do brutal death metal europeu, como Sinister, principalmente nas guitarras. Você concorda com isso ?
Sim, de fato. Não só como o Sinister mas também como de vários outros clássicos do Death Metal, Entombed, Dismember entre outras como as citadas anteriormente.
Em 2017 a banda gravou e lançou uma promo intitulada “Visões do Outro Lado”. Essa foi a primeira fez que a banda usou a língua Portuguesa em uma letra ? Sendo você o vocalista, o quão confortável foi utilizar o nosso próprio idioma ? Pergunto isso pois não é tão comum o uso do português em bandas mais extremas, ainda que isso venha mudando com o tempo. Você acha que o mundo já lida melhor com músicas em outros idiomas que não o Inglês ?
Sim, foi a primeira e única, até o momento. Ter cantado em português foi confortável. Embora, foi necessário adapta-la para um formato que antes só se ouvia em inglês. Acredito que sim mas prezo que seja bem cantado para que seja compreensível para nativos do idioma executado, ressaltando que nossa linha é undergroud e não mainstreaming.
O primeiro álbum do BLAST AGONY “Cradle of Brutality” só viu a luz do dia em 2024 e foi lançado pela Mutilation Records. São praticamente sete anos depois da promo. Qual a razão para tamanha demora no lançamento desse debut álbum ? E como vocês chegaram na Mutilation para realizar esse lançamento ?
Realmente por conta de mudança de integrantes que é algo normal em bandas acaba tomando um tempo até para os novos integrantes se adaptar, e também em relação ao lançamento, gravamos o álbum e no processo de prensagem do CD tivemos a Pandemia e uns contratempos com a RaptureRecords que atrasou o lançamento. Ocasionalmente, Geni da RaptureRecords apresentou nosso trabalho a Tulula da Mutilation Production que resolveu lançar o álbum de imediato. Vida longa a RaptureRecords e Mutilation Production. \m/,
Eu pude ouvir o álbum apenas no youtube, então fiquei com a impressão de que a gravação estava meio “magra”. É isso mesmo ou é um problema causado pela audição online ? Vocês ficaram satisfeitos com o resultado final de “Cradle of Brutality” ?
De fato, não se compara o som de uma mídia física e original com mídia em plataforma digital, principalmente do youtube. Devido ao trabalho dedicado a equalização e mixagem que se perdem no processo de digitalização. Ficamos satisfeitos com o resultado final em todos os aspectos, desde artes gráficas quanto com a sonoridade. Por outro lado, optamos produzir o próximo Álbum no MA Studio com Matoso, ex-integrante da banda e um excelente produtor. Pois vamos explorar guitarras mais graves no segundo álbum, acreditamos que dessa forma vamos chegar em uma boa sonoridade em todas as mídias.
Recife já teve uma cena incrível com dezenas de bandas tocando, shows acontecendo com frequência, várias lojas, enfim, havia um cenário em ascensão. Nos últimos anos se ouve pouco da cena recifense. O que mudou em relação ao auge da cidade ? Você percebe que houve realmente uma renovação do público ou isso não ocorreu totalmente ?
Sim, a cena mudou por aqui, o numero de lojas fecharam as portas, principalmente durante e depois da Pandemia, casas de shows como o Dokas também fecharam as portas, eventos que movimentavam a cena como PE no Rock e o Abril pro Rock também acabaram, isso contribuíram para dá uma abaixada no cenário underground de recife.
Algo que me chamou a atenção no novo álbum foi a incrível arte da capa. Quem é o responsável por essa arte ? Foi totalmente uma ideia da banda ou vocês já encontraram uma arte pronta e que se conectava com a proposta do álbum ?

A arte da capa foi uma ideia minha, projetei ela em 2020 pensando em um monstro de outra dimensão surgindo do underground de um planeta com corpos decadentes num cenário grotesco e brutal, aí passei a ideia para o Gene da Rapture que repassou a ideia e a letra da música Cradle of Brutality para o designer da indonésia Dian Tri Atmoko que fez artes para as bandas Devangelic, Macabre Demise, Gastrorrexis entre outras, aí em 2021 lançamos um vídeo Teaser com a arte pronta e a música Cradle of Brutality, e assim foi criada a arte que impactou bastante no visual remetendo o que seria o conceito geral do álbum.
Eu sei que o debut álbum foi lançado ano passado, então é relativamente novo, mas vocês já tem um novo material pronto para o próximo do BLAST AGONY ? Quando podemos esperar por isso ?
Sim, estamos trabalhando nas composições do nosso segundo álbum que terão 8 faixas com algumas delas mais técnicas em relação as que foram lançadas anteriormente. No momento estamos definindo o repertorio de apresentação devido a entrada recente do baterista renomado o Hector Ricardo. Contudo, esperamos que até o fim deste ano o novo Álbum esteja gravado e pronto para o lançamento em 2026.
Brother, mais uma vez obrigado pela participação. Deixo o espaço aberto para que você se manifeste sobre o BLAST AGONY, próximos shows, etc.
Primeiramente obrigado Fabio Alexandre Brayner pela oportunidade dessa entrevista ao PORTAL THE OLD COFFIN SPIRIT de Brasília/DF, O Blast Agony agradecer a todos que continuam acreditando no verdadeiro Brutal Death Metal e mantendo a chama viva. Nossa missão sempre foi fazer um som com alma e atitude, o palco é o nosso templo e estamos preparados para futuros shows com mais profissionalismo tendo uma boa equipe, músicos de alto nível, merchandising e o mais importante coragem para fazer as coisas acontecerem no underground brasileiro. Deixo aqui contato para shows e merchandising.
@blast_agony https://www.youtube.com/@blastagonyofficial2011
@cristianoalexandreda_s cristianoblast@gmail.com
@zeselva candidoselva@hotmail.com